no escurinho do cinema

Por Helô Gomes

Acho a solidão uma companhia fabulosa. Ela não me parece melancólica, muito pelo contrário: solidão só é triste quando é inevitável. Quando se trata de escolha, porém, é insubstituível.
Poucas coisas promovem mais autoconhecimento do que dividir as supresas e emoções de um momento consigo própria: viajar sozinha, ir a um restaurante sozinha, pegar uma longa estrada de carro sozinha, correr no parque sozinha e, o meu favorito dos voos solos: ir ao cinema sozinha.

Tudo bem que delivery e netflix saem mais barato no bolso, mas emocionalmente a conta é outra: o ingrediente romântico de estar ao lado de pessoas desconhecidas diante do desenrolar de uma estória é, pra mim, luxo espiritual dos mais valiosos.

O Oxford English Dictionary define a palavra “romântico” como algo que inspira, imaginoso, distante da experiência real, que prefere a grandeza ou a paixão aos acabamentos e perfeições.

Genial! Abaixo o saber sociológico do pós guerra que espera da gente racionalismos, materialismos e outros chat-ismos. Eu não estou ali com pipocas em punho procurando respostas: estou apenas estendendo algumas perguntas, meu amor! E nada mais natural do que sair da minha zona de conforto do conhecido-sofá-de-casa pra diversificar minhas experiências antropológicas. Ah, talvez eu seja apenas a última romântica dos litorais desse oceano atlântico e tolice mesmo é viver a vida assim sem aventura (interior).

Share this article

About Coletivo Lirico

Somos um coletivo de arte, moda, cinema, selfies, looks do dia, textão de amor, testículos de legenda, sinais de fumaça, código morse e qualquer outro meio de expressão que nós faça bater o coração! Afinal, a única coisa que a gente pode deixar pro mundo é a nossa percepção dele ;) @coletivolirico

You May Also Like

One comment

  1. Gisele
    1 de dezembro de 2016 at 7:41 pm #

    Nada mais romântico que um encontro, às escuras, com nós mesmo 😀

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *