Todo abismo é navegável a barquinhos de papel

João Guimarães Rosa, em Desenredo, conto integrante de Tutaméia – Terceiras Estórias

 

Tem gente que têm não consegue nem fazer um daqueles aviõeszinhos de papel simples – daquele tipo que já caia de bico nos primeiros segundos de voo. Bom, digamos que esse não é o caso de Luca Iaconi-Stewart, de 25 anos, que se diz “um louco que ama a aviação”.

Faz sentido: o jovem gosta tanto do assunto que se especializou na técnica de construção de aeronaves à base de celulose! Sim, papel gente!

Olha só a réplica caseira do jato Air India Boeing 777

(resultado de um trabalho de nove anos – nem precisava voar pra fazer bonito)

Na verdade, o objetivo de Luca era fazer com que o protótipo voasse de fato. Mas não com um impulso qualquer da mão: o jato tem seu próprio motor, e só esse motor precisou de um mês de projeto e quatro de montagem. (!!!)

O mais impressionante é que, mesmo sem estudar engenharia – teve apenas aulas de arquitetura no ensino médio –, esse moço de São Francisco, Califórnia (EUA), resolveu fazer um modelo fiel ao original, em todos os seus detalhes. E, aqui, estamos falando inclusive de parafusos, tubos hidráulicos e dobradiças, além de carrinhos de comida e compartimentos de dormir para a tripulação…

Luca nem consultou os universitários para empreender sua missão:  no processo, analisou centenas de fotos e vídeos do avião na internet (um viva ao google!). Deu sorte de encontrar também na rede um manual de manutenção do Air India Boeing 777 e um mapa dos assentos do jato.

Diz que ele também recebeu algumas dicas quentes de um amigo que trabalha na GE Aviation, fabricante do motor do Boeing…

Olha só o trem de pouso da brincadeira!

 

 

Oiê Luca! 🙂

O avião de papel de Luca ainda está em fase de conclusão, com a manufatura das asas – só elas demandaram dois anos de trabalho.

Depois de tanto esforço, orgulhoso de seu feito, o rapaz agradece também aos pais por ter conseguido concluir a empreitada. “Tenho sorte por ter um família tão solidária”, afirma.

Nada mais justo o agradecimento, afinal, talvez o projeto não tivesse levantado voo se a toda hora alguém interrompesse sua concentração com alguma observação do tipo: “Menino! Vai estudar! Ninguém chega a lugar algum com a cabeça nas nuvens!”

Aviõezinhos de papel comuns talvez não cheguem mesmo, o que não é o caso desse Boeing.