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Radical, liberal, interseccional… Conheças as principais vertentes do feminismo


Feminismo não tem nada a ver com ódio aos homens ou estereótipos de mulher raivosa ou peluda, como dizem por aí. Feminismo é um movimento que surgiu para lutar por direitos sociais e políticos iguais para homens e mulheres. Basicamente, se você acha que mulheres não merecem tratamento inferior por serem mulheres, você é feminista! Mas quando pensamos na luta das mulheres, é bom saber que existem várias vertentes do feminismo.

Você provavelmente já deve ter ouvido falar em feminismo radical ou interseccional. Isso quer dizer que existem vários jeitos de pensar sobre como essa equiparação de direitos e oportunidades entre homens e mulheres podem ser conquistadas. Ou seja, provavelmente tem uma vertente do feminismo que tem a ver a com a forma como você enxerga o mundo!   

Afinal, somos muitas e múltiplas! Cada mulher vive uma realidade diferente a partir da classe social, raça, orientação sexual e muitos outros aspectos que moldam cada uma em seu espaço na sociedade. Mesmo com todas as diferenças entre nós, entendemos que há questões que nos unem em uma luta comum, como a certeza de que nenhuma mulher merece sofrer violência doméstica ou estupro. 

Ainda assim, existem essas diferentes formas de enxergar as realidades e as questões das mulheres no mundo. O movimento feminista é um só, mas tente enxergá-lo como um guarda-chuva. Dentro dele, cada uma das vertentes do feminismo reflete a luta diária de grupos distintos de mulheres. Conheça quais são elas e veja com qual, ou quais, você se identifica!

FEMINISMO LIBERAL

Pode ser considerado o feminismo mais antigo, surgiu na Revolução Francesa [século XIX], com Mary Wollstonecraft em “Reinvindicação dos Direitos das Mulheres”. Essa vertente tem como objetivo promover a igualdade entre homens e mulheres por vias institucionais de forma gradativa. O foco não é abalar as estruturas, mas sim inserir as mulheres dentro delas. Por isso a importância da representatividade feminina no congresso e em posições de liderança/poder. 

O feminismo liberal está centrado no indivíduo mulher e em sua liberdade de escolhas e o lugar dos homens nessa linha de pensamento é ao lado das mulheres. 

É uma vertente que recebe críticas por não considerar que nem todas as mulheres partem do mesmo ponto na vida. “Atua numa agenda de equiparação de direitos, mas sem um enfrentamento às desigualdades, exploração do trabalho e ao capitalismo. Age principalmente na proposição de reformas políticas e legais e no posicionamento do direito de escolha das mulheres”, explica gerente de gênero e incidência política da Plan International Brasil, Viviana Santiago

Questões pessoais não estão longe do debate. Como popularizou Betty Friedan, um dos ícones desta corrente: “O pessoal é político”. Foi assim que ela incluiu na agenda questões como aborto, liberação sexual, padrões de beleza, violência doméstica, entre outros.

Um dos exemplos do movimento feminista liberal foi a hashtag #HeForShe, da atriz britânica Emma Watson, que visava incorporar a participação dos homens à luta das mulheres por igualdade.

FEMINISMO MARXISTA OU SOCIALISTA

Surgiu das primeiras críticas ao feminismo liberal. “Investiga e explica como o capitalismo e a propriedade privada oprimem as mulheres”, resume Viviana. De maneira simplificada: a opressão da mulher não existe só por conta do machismo, mas também pela forma como a economia se organiza no capitalismo, reduzindo o papel de participação da mulher. 

A primeira luta dessas feministas foi pelo direito ao trabalho. Com o passar dos anos, tornou-se pela a abolição dos meios privados de produção e a redivisão sexual do trabalho.

Uma das questões centrais dessa vertente é que as mulheres não devem se emancipar somente no mercado de trabalho, mas também dentro da família. Assim, há demanda por uma divisão mais justa do trabalho doméstico e reprodutivo. 

A principal crítica feita a essa corrente é de valorizar excessivamente a condição econômica da mulher e esquecer-se de que dominação e exploração também têm origens culturais e raciais.

FEMINISTA INTERSECCIONAL

O feminismo interseccional parte do pressuposto de que além das opressões de gênero, existem outros fatores que oprimem grupos de mulheres e isso deve ser considerado nas demandas “É uma vertente que posiciona raça, classe, gênero e vem sendo reivindicado por mulheres lésbicas e outros grupos de mulheres que chamam atenção para a intersecção entre as opressões que vivenciam”, exemplifica Viviana. 

Basicamente, a ideia é de que não dá para dizer que existe uma mulher universal, mas sim vários grupos de mulheres com questões específicas. As demandas das mulheres brancas são diferentes das negras, que são diferentes das indígenas e isso tudo deve ser pensado pelo movimento.

É nela que se encontram grupos como o do transfeminismo e feminismo lésbico. “A vertente posiciona o termo interseccionalidade, que chama atenção para as várias opressões, como elas se intersectam e produzem uma situação de violação específica”, completa. 

Esse feminismo nasceu como uma crítica ao feminismo branco, trazendo uma maior troca de experiências entre mulheres e considerando que o patriarcado só poderá deixar de existir se todas essas diferentes mulheres se unirem – e se as demandas delas forem atendidas.

FEMINISMO RADICAL OU RADFEM

O feminismo radical é muitas vezes encontrado em frases como “Eu até concordo com o feminismo, mas não concordo com essas feministas radicais!”. O feminismo radical não  tem esse nome por ser extremista, mas sim por acreditar que a raiz das opressões sofridas pelas mulheres está os papéis sociais atribuídos aos gêneros. Simplificando: menino veste azul e menina veste rosa. Elas entendem mulheres e homens da maneira biológica: mulher tem vagina e homem pênis, mas isso não significa que as mulheres devem corresponder aos estereótipos de gênero impostos sobre elas.

Essa vertente surgiu nos anos 60 nos Estados Unidos a partir das obras de Shulamith Firestone e Judith Brown. A primeira foi fundadora do grupo New York Radical Women e a segunda autora do manifesto feminista radical de 1968 “Toward a Female Liberation Movement”, ao lado de Beverly Jones.

Para o feminismo radical, não adianta uma mulher se empoderar na individualidade, pois estruturalmente ela continuará sendo oprimida pelo machismo institucionalizado na sociedade patriarcal.

Por isso, prega uma revolução total das estruturas. E também a abolição do conceito de gênero, criando um mundo onde genitais sejam só mais uma característica física. Assim, não faria sentido pensar em mulheres cisgênero ou transgênero, pois nem sequer deveria existir a categoria mulher. 

Essa linha também é contra a prostituição e a pornografia, pois seriam ferramentas dos homens para objetificar as mulheres e explorar seus corpos.

FEMINISMO NEGRO

Surge da ideia de que a mulher negra não é representada por outros feminismos, já que, além de tudo, ela também sofre com o racismo. “Posiciona que as questões das mulheres negras estão relacionadas tanto às questões de mulheres quanto a questão racial, e por isso pautar apenas a sua existência enquanto mulheres não é o suficiente para garantia de seus direitos”, explica Viviana. 

O feminismo negro no Brasil inclui pautas como o genocídio da juventude negra, preconceito contra religiões de matrizes africanas e tantas outras vivências que as negras possuem (solidão da mulher negra, por exemplo), que as brancas não conhecem. 

QUAL A MINHA VERTENTE FEMINISTA?

É importante lembrar que as vertentes não são caixinhas e você pode se identificar com os pensamentos de mais de uma delas. Muitas vezes, mesmo se identificando com uma vertente, nem tudo vai de acordo com suas experiências, e alguns pontos de outras vertentes podem fazer sentido na sua vida.Vale lembrar que, só porque você faz parte de uma vertente, não é preciso concordar com tudo que existe nela. E também que não é preciso demonizar as outras, afinal, todas têm um objetivo em comum! 

Matéria publicada no site Azmina.com.br

por Laura Reif

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