Diário do Movimento do Mundo Número 2 |


Quando escuto alguém dizer que está com uma planilha de leitura, assim, com uma meta de quantidade de páginas diárias que pretende “matar” em determinado período, minha alma chega a dar um duplo carpado twist de agonia dentro do meu esqueleto. Pra mim, é a mesma coisa que ouvir alguém dizer “olha, vou comer essa batata-frita crocante e quentinha aqui rapidinho, de olhos fechados e nariz tampado”. Que desperdício de experiência! Sabe, quando eu me encontro no transe da literatura, quero mais é que o mundo passe de-va-gar-zi-nho, suave suavecito, duas sílabas pra cá, duas sílabas pra lá, volte aqui nesse parágrafo menina que você bem gostou desse rodopio do pensamento e a gente pode repetir até cansar… É como se cada autor me tirasse pra uma dança, e eu fico ali, cheek to cheek, de paraíso em paraíso, sentindo o perfume dele no cangote de cada linha, sua mão na minha cintura a cada virada de página, os dedos da outra mão entrelaçados aos meus a cada novo mundo em mim que ele me mostra pelo caminho….

É, eu realmente não conto páginas. Eu conto suspiros.