Eu aprendi a lavar louça jogando xadrez

por | 30/01/2024 | 2024, prosa & poesia, vida interior

Qual foi a última ou a primeira vez que você jogou xadrez na vida? Bom, eu já tive várias fases: 

  1. a de sempre perder pro meu irmão mais velho (ele é físico especialista em medicina nuclear pela USP e médico com residência em Psiquiatria na UNICAMP civilmente impossível pra esta jovem mortal de Humanas chamada EU ganhar dele). 
  2. a de jogar sozinha com o videogame, perder 100 para ganhar uma, tentar memorizar as jogadas do oponente pra depois fazer igual, jogar tudo para o alto e mexer os dedos aleatoriamente ouvindo Anitta (nota-se é impossível pensar Xadrez ouvindo Anitta). Quiça jogar!
  3. XADREZ GIGANTE, um de meus favoritos, confesso: aquelas peças feitas em miniatura para adultos normalmente vistas em clube de campo. Vou colocar uma foto: 

Um amigo meu no auge dos seus 18 anos – que, hoje faz faculdade nos Estados Unidos com bolsa jogando tênis (Oi Matheus!) que me ensina este esporte. Eu mal sabia que quanto melhor você joga xadrez, melhor vai no tênis. Bom, nessa foto eu estava jogando contra (ou seria com?!) ele. Durante a partida cerca de mais de 6 crianças vieram para o meu time tentar me ajudar na estratégia, mas mesmo assim perdemos kkkk) 

Voltando a louça. Eu sou uma pessoa atrapalhada no bom sentido. Minha mente funciona com abas mentais uma dentro da outra a partir de novas idéias sobre fatos ou histórias, então, lógica, nunca foi o meu forte. Acredito depois de muito pensar que uma certa dose de loucura é necessária aos criativos, aos que vivem a vida no inédito. 

Nada contra a turma de exatas, muito pelo contrário. Sou apaixonada por gente com metodologia que consegue na rotina a excelência. Afinal de contas, a única forma da gente se tornar bom em alguma coisa é com a prática. 

E eu parei de quebrar pratos. Normalmente quando estou fazendo alguma tarefa da casa, coloco Audiobook para me acompanhar. (Este assunto vale até outro post com algumas dicas de onde ouvir Machado de Assis em doze minutos, post it mental check.). 

Louça Heloisa. Pois bem, querida leitora que está comigo neste texto até agora: primeiramente eu parei de deixar bagunça em cima da pia. 

Minha noção de antes-durante-depois melhorou com o xadrez, não fazia mais sentido deixar prato empilhado com talher. Garfos e facas de um lado, pratos, do outro. Mesmo que eu não fosse lavar naquele momento, e tá tudo bem. Eu não sou a Mary Poppins. 

Água no pote que gosto de tomar leite ninho com açaí e banana. Não fica mais grudento. Nem a louça fica mais empilhada por horas, usou, lavou, mexeu um peão, o outro se movimenta também. Sei lá, as coisas parecem ter ficado com uma dinâmica mais lógica diante da vida. Ficou mais fácil existir. Sei que jamais serei a rainha da organização, mas princesinha da harmonia, eis me aqui. 

Experimentem. Tem aplicativo gratuito no celular para Android e Iphone. Para Iniciante (os únicos onde consigo ganhar), Intermediário e Avançado (já tentei também perco meu Rei em menos de três jogadas). 

Ah! E tem o Chess for Kids, veste como uma luva pra não descascar o esmalte com o detergente.




Autor:

Helô Gomes
Helô Gomes é bacharel em jornalismo, premiada nacionalmente com a obra "Cordel de Moda - arte e Cotidiano na feira de Caruaru"; cobriu as principais semanas de moda do circuito Nova York, Londres, Milão, Paris, Rio e São Paulo, publicou e apresentou pesquisas científicas a convite da USP em Dublin, Moscou, Budapeste e Cracóvia, é apaixonada por literatura e arte e no Coletivo Lírico expressa todo seu olhar sobre a moda em forma de objetos de consumo afetivos

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