jazz.

djá, a à z.

é lindo demais.

A loucurinha é tanta que na playlist da academia chega a ter Favorite Things, do Coltrane – experimente uma séria de abdominais non stop com ela, você vira o super man no quilometro, opa, desculpa, minuto 4,20. Podia conter ironia mas contém verdade, e cãimbra. Parece que a tecla do piano-não-vai-sair-daquela-nota-nunca mais-você-não-sabe-se-enxuga-o-suor-a-lágrima ou lembra da noviça rebelde e dá risada.

Jazz é aquela amiga sexy sem ser vulgar.

Ela consegue mostrar tudo sem revelar nada.

Ela relaxa mas não dá sono

Ela, dependendo, deixa a gente agitado, mas nunca ansioso.

Tem a All Blues, do Miles Davis, clássico. É aquela primeira troca de olhares, quando a gente sabe tudo de uma pessoa só dela cruzar nosso campo de visão. Depois disso, o conhecimento só diminui mesmo que a aproximidade aumente, afinal, o ser humano tem os olhos bem mais inteligentes que a audição mesmo. Acho que só não ganham do olfato. Esse é certeiro.

Falando em olfato, que tal o cheiro da Joy Spring, dos maravilhosos Clifford Brown & Max Roach (RIP)?!  Dá pra sentir o perfume daquela flor, a musa, a tal da dama da noite. Um pouquinho de orvalho e… alá! Rosas ao fundo, junto com o piano suave-na-nave também ali pelo minuto quatro. Será um padrão?!

Tem a Blue Train, do Coltrane, pra quando a gente já decidiu que vai embalar na viagem. Aquele sax do comecinho convidando a gente pra olhar a paisagem e esquecer o destino porque o caminho vai ser longo, mas vai ser delicioso. Entra a bateria, como quem não quer nada, mas muda tudo: parece que o sol apareceu ali na janela pra dizer relaxa, i’ve got you babe.

Alias, a gente precisa fazer uma categoria especial dentro da categoria jazz que amamos pro Coltrane. Geral fala que gosta dele o que, pra quem gosta meeeesmo de jazz, dá até um pouco de recalque (perdoai-nos Deus) porque, poxa, não desperdiça assim num clichê a genialidade do cara! Mas aí a gente elabora: tá certo mesmo, o ser humano nunca ouviu uma música mas diz que gosta por respeito ao que sabe do nome. Se isso é estar na pior, né?!

A verdade é que o Coltrane praticamente conseguia reproduzir todos os outros instrumentos musicais no próprio sax (pelo menos para os ouvidos dessa leiga que vos fala): alí tem piano, alí tem bateria, alí até parece que tem harpa, flauta e, se prestar bastante atenção até um violino de fundo, naquele sopro contínuo de final de sessão. É surreal mesmo esse tal de talento.

Quer um spoiler dessa maravilhosidade?!

ó:

my shining hour: pra segundas-feiras cinzentas

just friends : pra quinta-feira, enquanto você se arruma pra sair pro happy hour com as migas

invitation: domingo à noite. Beeeeeeeeeem melhor que Faustão, confia.

Contudo, todavia, entretanto, porém, vamos voltar a nossa playlist mais abrangente (porque, se deixar, a gente fica pra sempre no COOLtrane)…

Segue o jogo: 

Tem a Song for my father, do Horace Silver, que é uma das músicas mais alegres doidínhas (de dor mesmo, não de doida). Uma mistura de valeuuuu queridão com p* que pariu que bagunça é essa aqui que galera-chama-de vida-que você me meteu?!

Tem a Sidewinger, do Lee Morgan, que com certeza seria a trilha sonora do filme da vida de uma mina quase qualquer (mas gente boa demais) que está se arrumando em plena sexta de um final de semana tema livre: onde o quando e onde vão ser qualquer agora que ela encontre por aí…

Tem a more Today Than Yesterday, do Charles Earland, que tem gosto de gente gostosa….

Por hora(s) tá bom, né? Boa viagem! =)