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O tempo do tempo

Pelo menos uma vez ao dia eu paro tudo que estiver fazendo pra sentir o cheiro do ar. Mas sentir, assim: com o filtro da pele, da mente, dos poros, da minha coluna, narinas, memórias, paranóias, afetos e, principalmente, sentimentos.

A experiência por mais simples que pareça é bem rara e toda vez é inédita. Exige bastante destreza porque, acreditem vocês ou não, dura cerca de dois segundos – normalmente os primeiros em que você se concentra na respiração. Depois disso, pelo menos pra mim, não funciona mais pois a essência do cheiro do ar se desfaz e o nariz não é mais capaz de distinguir o que antes era ar e agora virou puro oxigênio; quase como numa transmutação de pózinho de pirlimpimpim em poeira cósmica. Moro em andar alto, então aproveito a tangente do vento da janela escolhida para o lirismo do dia, na inocência de que de alguma forma ele vá trazer mais intensidade e/ou velocidade pro formato da minha prática que; não propositalmente, normalmente, acontece à noite antes de eu me deitar.

Pois bem, respeitável público, o motivo pelo qual vos escrevo estas pequenas linhas se dá justamente na imensidão destes míseros 120 segundos que eternizam minha alma todas as vezes que insisto em repetir a brincadeira: é infalível a injeção de bem estar e sensação de harmonia Universal que transborda em meu espírito. Experimentem, é tipo lamber a cara do tempo, com mel na língua.

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