Acho tão curioso quando você chega em algum círculo social novo e as pessoas te perguntam “o que você faz?!”. Sabe, antigamente (antes exatamente do que eu não sei, mas com certeza bem antes de eu ter certeza de que não tenho certeza de nada) eu tentava responder com os elementos que poderiam ser facilmente lidos e interpretados por aquele questionador em questão, porém (salvo algumas deliciosas exceções), logo meu pior pesadelo se instaurava: o famigerado small talk – aquele combo do check list premeditado de supostas afinidades + árvore genealógica de amizades em comum que, no fundo, têm em comum lógica nenhuma. Pois bem: depois de anos de laboriosa investigação empírica, tenho cá com meus botões que finalmente armei uma estratégia pra driblar tais incômodas conversas de elevador (que, atenção, acontecem não apenas quando nós nos encontramos parados dentro do mesmo, mas, principalmente, quando nós mesmos nos encontramos parados num lugar-de-conversa-comum): quando te perguntarem o que você faz, responda que tenta fazer o bem. O resto Deus cuida.